quinta-feira, 15 de junho de 2017

Deixando-se Ver através da janela.


Dia frio, tarde chuvosa,
solidão batendo á porta...
Cachecol verde enrolado no pescoço
Pés descalços
Janela de vidros fechados
porém a cortina de renda presa
ao canto deixa à vista todo espaço
que bem iluminado
Mostra o corpo exposto e o cachecol
cobrindo  pescoço caía até os joelhos
Hora cobrindo o umbigo
ora cobrindo um seio
ora cobrindo o meio.
Ela de pernas sobre a cadeira entretida
seu livro lia,
 ria e as vezes chorava,
era como se o texto sua emoção regesse.
Estar só as vezes era boa
pois sem cuidados as penas  abria,
tomava algo numa taça que de certo
era bom o que bebia.
Quando só sentia-se  pela janela o olhar comprido dirigia
e por instantes, as vezes minutos  se perdia.
Mas logo um gole bebia e a leitura o olhar  dela recebia.
Não sabia a Moça vestida só de cachecol e melancolia
que ali  logo a sua frente
pela mesma janela
outros olhos era a ela que lia.
Deleitava-se com sem modos de  mover,
deliciava-se com a nudez  da entre pernas apoiadas sobre a cadeira,
era verde o cachecol, disso tinha certeza.
Os cabelos eram negros,
a pele porém parecia macia,mas mesmo sozinha
 percebia que algo sozinha dizia ela
achou a boca bonita, certamente se perto a beijaria.
A claridade de dentro deixava que mais o ser da Moça visse
viu-lhe o contorno dos seios
dos bicos a cor o seduzia.
Cada um de sua janela seu momento viveu,
ela com envolvida no que lia, o olhar pra fora
sempre
estendia...
ele só satisfez suas vontades  usando a imaginação
até que   a noite entrou, ele dormiu de cansaço,
ela mais cachecol se emaranhou, num  cobertor se escondeu,
Dessa forma em sintonia, cada um adormeceu
sem do outro saber-se intenção.
Trocando impressões
de janela a janela
o mundo é visto assim:
Uns olham e nada vem
Enquanto outros o prazer da vista tem.
Reflexo d'Alma 02:51 2105012